Falhas comuns em infraestrutura cloud

Em um mundo onde a transformação digital avançou de forma exponencial, a migração para a nuvem tornou-se não apenas uma opção, mas uma necessidade estratégica para empresas de todos os portes. E como consequência, a preocupação com falhas em infraestrutura cloud tornou-se presente na rotina das empresas.

No entanto, esta transição traz consigo desafios significativos de segurança da informação que muitas organizações subestimam ou desconhecem por completo.

A realidade é alarmante:

De acordo com pesquisas recentes, mais de 80% das violações de dados em infraestrutura cloud são resultado de erros humanos e falhas de configuração, não de ataques sofisticados.

A maioria das invasões poderia ter sido evitada com práticas básicas de segurança e uma abordagem proativa.

Surpreendentemente, é mais fácil do que parece proteger sua infraestrutura em nuvem quando você conhece os principais pontos de vulnerabilidade.

Este artigo detalha os principais erros críticos que colocam em risco os ativos digitais da sua empresa e, mais importante, oferece soluções práticas para cada um deles.

Neste conteúdo, passaremos pelos seguintes tópicos:

  • Configurações incorretas (Misconfigurations);
  • Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM) inadequado;
  • Exposição de chaves de acesso e credenciais;
  • Falta de criptografia de dados;
  • Ausência de monitoramento e logging.

1. Configurações Incorretas (Misconfigurations)

ilustração que representa falhas em cloud

As configurações incorretas representam, atualmente, a maior ameaça à infraestrutura cloud. Pequenos erros de configuração podem, certamente, ter consequências catastróficas, resultando em vazamentos massivos de dados e comprometimento de sistemas inteiros.

Veja como funciona:

Um simples bucket de armazenamento com permissões públicas pode expor terabytes de dados confidenciais. De maneira idêntica, uma regra de firewall mal configurada abre portas para invasores acessarem sua rede interna.

Estes erros ocorrem, sobretudo, devido à complexidade dos painéis de controle dos provedores cloud e ao ritmo acelerado de implantação.

Quer saber o motivo?

As equipes de desenvolvimento frequentemente priorizam funcionalidade e velocidade em detrimento da segurança.

Ademais, muitos profissionais ainda estão se familiarizando com as nuances dos ambientes em nuvem, o que aumenta as chances de erro.

Um único bucket S3 configurado incorretamente na AWS pode expor milhões de registros de clientes. A propósito, este cenário não é hipotético – várias empresas renomadas como a Capital One, Twitch e até mesmo grandes instituições financeiras já sofreram com esse tipo de falha.

Como evitar:

  1. Implemente verificações automatizadas de conformidade em configurações cloud
  2. Adote o princípio do “privilégio mínimo” para todos os recursos
  3. Utilize ferramentas de Cloud Security Posture Management (CSPM)
  4. Estabeleça processos rigorosos de revisão antes da implementação em produção
  5. Realize auditorias regulares em todos os recursos expostos publicamente

E a melhor parte é esta: muitos provedores de nuvem oferecem ferramentas nativas para detecção de configurações inseguras, como o AWS Config, Azure Security Center ou Google Security Command Center.

2. Gerenciamento de Identidade e Acesso (IAM) Inadequado

No momento em que falamos de segurança na infraestrutura cloud, o gerenciamento de identidade e acesso (IAM) é, sem dúvida, um dos elementos mais críticos.

Controles de acesso fracos ou mal implementados podem, com efeito, permitir que atacantes ou usuários não autorizados acessem recursos sensíveis.

Mas espere, tem mais!

O problema vai além de simplesmente definir quem pode acessar o quê. Em um ambiente de nuvem dinâmico, os privilégios excessivos representam, inclusive, um risco silencioso que muitas empresas ignoram. De forma que um único usuário com permissões excessivas pode comprometer toda a infraestrutura.

Agora, isso é importante:

Muitas organizações cometem o erro de criar políticas IAM excessivamente permissivas para “facilitar” o trabalho das equipes. Todavia, essa abordagem aumenta dramaticamente a superfície de ataque e o potencial impacto de um incidente.

Estudos demonstram que mais de 90% das permissões concedidas em infraestrutura cloud nunca são utilizadas. Ou seja, a maioria das empresas opera com privilégios significativamente maiores que o necessário, criando riscos desnecessários.

Como evitar:

  1. Implemente o princípio do privilégio mínimo rigorosamente;
  2. Revise regularmente as permissões e remova acessos desnecessários;
  3. Utilize autenticação multifator (MFA) para todas as contas, especialmente as privilegiadas;
  4. Implemente a rotação automática de credenciais;
  5. Estabeleça processos claros para provisão e desprovisão de acessos;
  6. Considere soluções de acesso privilegiado just-in-time (JIT).

Parece bom demais para ser verdade, certo? No entanto, as melhores práticas de IAM podem reduzir em até 80% o risco de violações relacionadas a identidades quando implementadas corretamente.

3. Exposição de Chaves de Acesso e Credenciais

A exposição de chaves de acesso e credenciais é, em síntese, um dos erros mais comuns e potencialmente devastadores em infraestrutura cloud. Hackers adoram encontrar essas informações expostas porque são, afinal, equivalentes digitais às chaves do reino.

Você sabia disso?

Em 2020, pesquisadores encontraram mais de 100.000 repositórios de código no GitHub contendo chaves de API e tokens de acesso expostos. A princípio, isso pode parecer apenas um descuido, mas as consequências são profundas.

As credenciais vazadas geralmente oferecem acesso privilegiado que permite que invasores operem dentro da sua infraestrutura sem serem detectados. De tempos em tempos, organizações descobrem que seus recursos computacionais estão sendo usados por mineradores de criptomoedas ou para hospedar conteúdo malicioso.

O que acontece a seguir é impressionante: após obter acesso inicial por meio de credenciais expostas, atacantes frequentemente escalam seus privilégios e estabelecem persistência, tornando a recuperação muito mais complexa e custosa.

Como evitar:

  1. Nunca armazene credenciais em código-fonte ou repositórios públicos;
  2. Utilize cofres de senhas (secrets management) como AWS Secrets Manager, Azure Key Vault ou HashiCorp Vault;
  3. Implemente rotação automática de credenciais;
  4. Configure alertas para detecção de vazamentos de segredos;
  5. Utilize ferramentas de análise de código para identificar credenciais expostas antes do deploy;
  6. Adote serviços gerenciados de identidade quando possível em vez de chaves estáticas.

Aqui está algo que ninguém te conta: mesmo após remover credenciais vazadas de repositórios públicos, elas geralmente permanecem em históricos de commits e forks, tornando a mitigação muito mais complexa.

Logo, a prevenção é sempre a melhor estratégia.

4. Falta de Criptografia de Dados

A falta de criptografia de dados representa, a propósito, uma vulnerabilidade crítica frequentemente negligenciada.

Se seus dados não estiverem adequadamente criptografados, tanto em trânsito quanto em repouso, qualquer acesso não autorizado pode resultar em exposição completa de informações sensíveis.

Muitas empresas implementam criptografia apenas parcialmente ou de forma inconsistente. Com o intuito de maximizar o desempenho ou simplificar operações, organizações frequentemente deixam dados desprotegidos, especialmente em ambientes de desenvolvimento ou teste.

Acima de tudo, é importante entender que a criptografia não é um recurso opcional – é uma necessidade fundamental, especialmente considerando regulamentações como GDPR, LGPD, HIPAA e outras que exigem proteções robustas para dados sensíveis.

E adivinha só?

Muitos provedores de nuvem oferecem criptografia como padrão, mas ela precisa ser explicitamente habilitada em muitos serviços. Analogamente à forma como você não deixaria documentos confidenciais em uma mesa sem supervisão, dados digitais também requerem proteção adequada.

Como evitar:

  1. Implemente criptografia em trânsito (TLS/SSL) para todas as comunicações;
  2. Habilite criptografia em repouso para todos os dados armazenados;
  3. Utilize gerenciamento seguro de chaves com rotação regular;
  4. Considere soluções de criptografia de cliente (client-side encryption) para dados altamente sensíveis;
  5. Implemente controles de acesso granulares para chaves de criptografia;
  6. Realize auditorias regulares para garantir compliance com políticas de criptografia.

A criptografia por si só não é suficiente. Gerenciamento adequado das chaves de criptografia é igualmente essencial.

Primeiramente, determine quem pode acessar as chaves e implemente controles rigorosos para seu uso e armazenamento.

5. Ausência de Monitoramento e Logging

A ausência de monitoramento e logging adequados é, sem dúvida, uma das falhas mais perigosas em segurança cloud.

Sem visibilidade abrangente sobre sua infraestrutura, ataques podem ocorrer e permanecer despercebidos por longos períodos.

O tempo médio para detectar uma violação de dados é de aproximadamente 200 dias. Leva-se em média mais 70 dias para contê-la completamente. Geralmente, esta demora é resultado direto de monitoramento inadequado.

Mesmo grandes empresas com recursos significativos falham em implementar sistemas abrangentes de logging e monitoramento.

No geral, isso ocorre devido à complexidade dos ambientes cloud distribuídos e ao volume massivo de dados de log gerados.

Ninguém te contou isso antes, mas… a maioria dos atacantes bem-sucedidos consegue remover seus rastros de sistemas mal monitorados. De maneira que, sem logs detalhados e protegidos, torna-se quase impossível reconstruir o que aconteceu durante um incidente.

Como evitar:

  1. Implemente logging centralizado para todos os componentes da sua infraestrutura;
  2. Configure alertas em tempo real para atividades suspeitas;
  3. Utilize soluções de SIEM (Security Information and Event Management);
  4. Proteja seus logs contra adulteração e implemente retenção adequada;
  5. Considere soluções de detecção de anomalias baseadas em machine learning;
  6. Desenvolva playbooks de resposta a incidentes para diferentes cenários de alerta;
  7. Realize revisões regulares dos logs para identificar padrões suspeitos.

O melhor ainda está por vir: com monitoramento proativo, sua equipe pode identificar não apenas tentativas de ataque, mas também ineficiências operacionais e oportunidades de otimização, gerando valor além da segurança.

Conclusão

Proteger sua infraestrutura em nuvem não precisa ser uma tarefa assustadora. Conforme discutimos, a maioria das violações de segurança ocorre devido a erros básicos que podem ser evitados com práticas adequadas e atenção aos detalhes.

E a razão é simples: a segurança na nuvem é uma responsabilidade compartilhada. Enquanto provedores como AWS, Azure e Google Cloud protegem a infraestrutura subjacente, a segurança dos dados, configurações e acessos permanece sob responsabilidade da sua empresa.

Surpreendentemente, é mais fácil do que parece implementar uma estratégia robusta de segurança na nuvem quando você aborda sistematicamente cada uma das áreas críticas que discutimos.

A fim de fortalecer sua postura de segurança, comece identificando qual desses cinco erros representa o maior risco para sua organização específica.

Por fim, lembre-se que a segurança não é um destino, mas uma jornada contínua.

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Com uma abordagem personalizada e especializada, identificamos as falhas mais ocultas e críticas que podem comprometer o futuro do seu negócio.

Cada detalhe é cuidadosamente analisado, garantindo a segurança máxima para sua organização.

A partir de agora, não deixe a segurança da sua empresa ao acaso.

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